Nos últimos anos, temos testemunhado uma crescente integração entre tecnologia móvel e criptomoedas, com o Solana Saga, o smartphone da Solana, sendo o sucesso mais recente. No entanto, antes do sucesso do Saga, outras iniciativas pavimentaram o caminho para os novos empreendimentos de cryptophones.

Empresas como Samsung, Sirin Labs e HTC foram pioneiras nessa tendência emergente, oferecendo aos consumidores a capacidade de armazenar, gerenciar e até mesmo negociar criptomoedas diretamente de seus dispositivos móveis.

Um dos primeiros grandes players a entrar nesse espaço foi a empresa suíça Sirin Labs que lançou o FINNEY, um smartphone blockchain que tinha como objetivo fornecer uma experiência de usuário centrada em criptomoedas. O FINNEY vinha com uma carteira embutida, bem como um sistema operacional dedicado à blockchain, permitindo aos usuários acessar aplicativos e serviços descentralizados diretamente do dispositivo.

Logo na sequência da Sirin Labs, a Samsung, anunciou o lançamento de sua linha de smartphones Galaxy S20, equipados com a carteira de criptomoedas Samsung Blockchain Wallet. Esta carteira integrada permite aos usuários armazenar e gerenciar uma variedade de criptomoedas populares, além de oferecer recursos de segurança aprimorados, como armazenamento seguro em hardware.

A HTC, conhecida por sua inovação no mercado de smartphones, também entrou na corrida das criptomoedas com o lançamento do Exodus 1. Este smartphone vem com uma carteira integrada chamada Zion Vault, que suporta várias criptomoedas e permite aos usuários manter o controle total de suas chaves privadas.

Solana, Aptos e RACA

No entanto, nenhum destes empreendimentos conseguiu atrair a comunidade de criptomoedas e fazer sucesso entre os usuários, até que a Solana anunciou o Solana Saga em 2023, no meio de um movimento de recuperação do mercado.

Lançado pela Solana Mobile, o telefone, com sistema operacional Android, visa integrar a experiência da Web3 de forma fácil e segura. Além disso, o dispositivo possui um ambiente de execução seguro da Qualcomm e um processador de elemento seguro embutido. Isso garante a segurança das chaves privadas dos usuários, de acordo com a empresa.

Além da segurança, o Solana Saga também se destaca por sua loja de aplicativos separada, que ao lado dos aplicativos Android nativos, oferece aos usuários uma ampla variedade de aplicativos Web3. No lançamento, 16 dapps estavam disponíveis para download na loja de aplicativos. A lista inclui, por exemplo, app da Ledger, do Magic Eden, do Mango Markets, da Marinade e do Squads.

Os usuários que comprarem o Solana Saga também receberão um pacote de boas-vindas, que incluirá criptomoedas e pacotes de adesivos, além de um NFT Saga. E foi justamente esse ‘airdrop’ de criptomoedas que ajudou o Saga a bombar e ser o primeiro cryptophone ‘adotado’ pela comunidade.

Desde o lançamento do dispositivo, o Saga contou com um airdrop de 30 milhões de tokens Bonk (BONK) e, como a memecoin começou a bombar, os traders começaram a perceber que o preço do ativo tornara o valor a ser recebido no airdrop superior ao preço de mercado do dispositivo, fazendo com que o telefone se esgotasse em 16 de dezembro.

O sucesso do Saga ‘animou’ a Solana que anunciou um novo telefone,  o “Saga 2.0” que já alcançou a expressiva marca de 100.000 pré-encomendas em pouco mais de um mês do anúncio. A título de comparação, levou quase um ano para a Solana vender 20.000 unidades de seu primeiro telefone cripto.

Além disso, o hype da linha Saga, também motivou outros desenvolvedores, de outros projetos, a anunciarem seus telefones. A RACA, projeto apoiado pela WF Labs, OKX Blockdream Ventures e o acelerador Tachyon da Consensys Mesh, anunciou parcerias para o lançamento de um smartphone focado no ecossistema Bitcoin.

Segundo informações da conta do X (antigo Twitter), o telefone será o primeiro do mundo equipado com RGB Full Node, uma cadeia lateral Bitcoin que permite conectividade com o ecossistema DApps. Os usuários poderão extrair diversas moedas DePin, moedas do protocolo RGB, entre outras funções.

Além disso, o telefone suportará outras redes de camada um, como Bitcoin Core, Solana, Ethereum, BNB Chain; cadeias laterais como Lighting Network e RGB; e redes de camada dois como rede ZK-X1, Arbitrum, entre outras.

O mais novo projeto cripto a entrar no mercado de cryptophones foi a Aptos, que anunciou uma parceria com a fabricante de smartphones acessíveis Jambo. O foco dessa colaboração é o lançamento do JamboPhone, um smartphone de US$ 99 projetado para ‘desbloquear a economia digital para usuários na África, Sudeste Asiático e América Latina’.

Embora as especificações exatas do telefone não estejam disponíveis, o dispositivo promete rodar o Android 13, com uma bateria de 4.900 mAh, uma tela LCD de 6,5″ e um recurso Dual SIM, além de uma configuração de câmera com lente dupla.

O JamboPhone visa mercados emergentes com sua promessa de trazer avanços do Web3 para clientes ‘independentemente de seu status geográfico ou econômico’, posicionando-se como uma opção acessível para aqueles que desejam acessar o mundo das criptomoedas e aplicações descentralizadas.