O gigante do futebol francês Paris Saint-Germain (PSG) está pronto para aprofundar seu envolvimento com a Web3 e a SportFi, tornando-se um validador da blockchain de fan tokens Chiliz.

O Cointelegraph viajou recentemente a Paris para falar com exclusividade com o fundador da Chiliz, Alexandre Dreyfus, e com o chefe da Web3 do PSG, Pär Helgosson, sobre a parceria entre o clube de futebol e a rede blockchain.

O PSG é o primeiro grande clube de futebol a se tornar validador de um protocolo de blockchain e está pronto para reinvestir a receita gerada como validador para comprar fan tokens do PSG. A medida é apresentada como uma forma de criar uma economia digital autossustentável para o clube e sua base de fãs.

A Chiliz Chain é a infraestrutura que sustenta a Socios, a plataforma que emite e gerencia fan tokens de mais de 150 clubes de futebol profissional e equipes esportivas. O PSG foi um dos primeiros a adotar a tecnologia e lançou seu fan token na Chiliz em setembro de 2018.

O clube pretende explorar oportunidades nos espaços mais amplos de criptomoedas, Web3 e SportFi, com Helgosson liderando os esforços.

A empresa de capital de risco Animoca Brands juntou-se à Chiliz Chain como validadora de seu protocolo de prova de participação em novembro de 2023, depois que a Chiliz reformulou o tokenomics de sua moeda nativa. A Chiliz introduziu um novo mecanismo de recompensas de inflação para os detentores do CHZ e a integração de um esquema de queima de taxas de transação baseado na EIP-1559.

PSG vai implementar mecanismo de recompra de tokens

Helgosson disse ao Cointelegraph que o PSG usará a receita acumulada como um validador de nó para realizar recompras do fan token do PSG em exchanges públicas. As recompras serão automatizadas e executadas por contratos inteligentes por meio de seu validador e em exchanges descentralizadas que operam na própria rede da Chiliz.

O programa visa aumentar a receita do validador do clube por meio de taxas de gás e da inflação do suprimento. Esses fundos serão reinvestidos em tokens do PSG. O clube está interessado em renovar suas reservas de tokens para criar uma economia autossustentável:

“Nosso objetivo é construir juntos um modelo sustentável de tokenomics em que o clube, devido à nossa função de validador de nós, possa usar os lucros para comprar tokens de torcedores e reinvesti-los no próprio ecossistema de torcedores.”

Helgosson diz que a iniciativa deve fornecer recompensas, novos casos de uso, funções, produtos e serviços que beneficiarão os detentores dos tokens, os patrocinadores e os jogadores do PSG.

O PSG e a Chiliz também estão planejando promover um hackathon a ser realizado no icônico estádio Parc des Princes no verão europeu. O evento visa atrair desenvolvedores para criar aplicativos e produtos descentralizados capazes de gerar valor ao token do PSG na rede da Chiliz.

Uma alternativa para organizações esportivas

Dreyfus disse ao Cointelegraph que a iniciativa do PSG de se tornar um validador pode servir de exemplo para que outros clubes sigam o mesmo caminho e entendam melhor como funciona o tokenomics do ecossistema de fan tokens.

“Quanto às vantagens, o PSG desempenhará um papel ativo nas operações do ecossistema da Chiliz, o que significa que eles ajudarão a criar confiança e a atrair mais marcas e desenvolvedores para o nosso espaço, além de organizar hackathons em seu estádio em parceria conosco”, explicou Dreyfus.

A Chiliz e a Socios têm se concentrado na criação de produtos e experiências para o setor esportivo em geral. Dreyfus acredita que o protocolo precisa que as partes interessadas participem da governança e e das operações contínuas da Chiliz.

O fundador da Chiliz diz que sua meta de longo prazo é ter de dezenas a centenas de validadores compostos por organizações esportivas, nós de propriedade de torcedores e empresas de criptomoeda. A esperança é que a iniciativa do PSG faça com que outros grandes clubes considerem a possibilidade de se tornarem operadores de nós.

“Essa é uma nova fonte de renda e diversificação para eles, mas fazer parte do efeito de rede também agrega valor a todos os envolvidos.”

A jogada do PSG na Web3

Em conversas extraoficiais, Helgosson revelou que o PSG está explorando ambiciosamente várias maneiras de diversificar as receitas através de uma participação mais ativa no ecossistema de criptomoedas e blockchain.

O investimento do clube para se tornar um operador de infraestrutura da blockchain da Chiliz marca o início de um movimento de participação ativa no ecossistema da Web3. O PSG já lançou várias coleções de tokens não fungíveis. Algumas delas oferecem recompensas exclusivas aos detentores dos NFTs.

Helgosson não quis revelar os detalhes do tamanho do investimento ou da alocação de capital investido na parceria com a Chiliz no modelo de “node-as-a-service”, mas disse que o clube pretende se envolver ativamente e reinvestir as receitas em inciativas conjuntas com seus parceiros da Web3.

Ele destacou que ser um validador de nó é um componente central na construção de um modelo sustentável de tokenomics para o fan token do Paris Saint-Germain e do próprio token nativo da Chiliz.

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