Ao longo dos anos, vários nichos do mercado de criptomoedas têm sido apontados como o caso de uso que finalmente trará a adoção em massa às redes blockchain. Alguns apontam para cadeias de suprimentos, pagamentos internacionais ou até mesmo a música, mas outros há muito sugerem que os jogos da Web3 poderiam inaugurar essa nova era. 

Mais recentemente, a inteligência artificial (IA) tem sido uma das narrativas mais quentes do mercado, com os tokens focados em IA registrando enorme valorização em 2023, durante um período em que o mercado de criptomoedas mais amplo mantinha-se majoritariamente estável. Embora os jogos de blockchain tenham perdido o brilho aos olhos do público, a IA está em grande evidência.

Um de seus casos de uso mais proeminentes é a IA generativa, através da qual sistemas são capazes de criar imagens, vídeos, textos, músicas etc., a partir de solicitações de texto introduzidas pelos usuários. Popularizado pela primeira vez pelo lançamento do DALL-E da OpenAI no início de 2021, o setor de IA generativa explodiu e se tornou tão onipresente que é quase impossível navegar na internet hoje sem encontrar alguma forma de conteúdo gerado por IA – quer os consumidores percebam ou não.

Enquanto isso, o setor de jogos segue acumulando bilhões de dólares, e os desenvolvedores têm trabalhado discretamente para desenvolver novos jogos que integrem recursos da tecnologia  blockchain. Uma startup em especial, a Atlas, colabora com muitas dessas empresas para adicionar a IA generativa aos jogos. No episódio 30 do podcast The Agenda, os apresentadores Jonathan DeYoung e Ray Salmond se juntaram ao CEO da Atlas, Ben James, para discutir a IA generativa em jogos, jogos da Web3, a evolução contínua da inteligência artificial e muito mais.

O futuro dos jogos da Web3

A ideia de aproximar a blockchain dos jogos eletrônicos recebeu muitas críticas dos jogadores tradicionais, muitos dos quais veem a introdução de criptomoedas e tokens não fungíveis (NFTs) como nada mais do que uma forma de os estúdios de criação ganaciosos arrecadarem mais dinheiro dos usuários. É importante observar que essa crítica não se limita aos NFTs e aos jogos baseados em blockchain – os jogadores ficam igualmente irritados quando os desenvolvedores tradicionais monetizam os jogos, introduzindo novas despesas além do custo inicial do próprio jogo.

De acordo com James, os desenvolvedores de jogos reconheceram que as criptomoedas e os NFTs têm uma reputação negativa e talvez não valha a pena destacá-las em suas ações de marketing. “Muitos desenvolvedores  que estão trabalhando em jogos para Web3 disseram que querem evitar a comparação da Web3 com a Web2 porque querem que o elemento Web3 apenas crie um jogo melhor”, disse ele a DeYoung e Salmond. “Eles querem que uma experiência melhor para o jogador venha do uso da nova tecnologia, seja ela blockchain ou IA, no nosso caso.”

“Ele não precisa ser o elemento central da proposta. A jogabilidade ainda é o elemento central. Ainda se trata da experiência. Ainda se trata de se perder nesses mundos e encontros criativos realmente interessantes. E o elemento tecnológico disso, como a blockchain, apenas facilita isso de forma significativa.”

A IA generativa pode ajudar a apoiar o desenvolvimento e o crescimento de jogos com tecnologia Web3, pois permite que os usuários gerem mais facilmente ativos digitais, como armas e outros itens do jogo, que podem ser monetizados. “O conteúdo gerado pelo usuário é uma forma de introduzir a criatividade na própria jogabilidade”, disse James, “e isso é algo que cria relacionamentos muito mais significativos e interessantes para o jogador e para o jogo que ele está jogando.”

“Você, como criador de conteúdo inexperiente, tem a capacidade de criar algo que é verdadeiramente seu e único sem ter esse conhecimento de como codificar, como modelar ativos. Mas acho que o ethos da Web3 realmente permeou isso e se alinha muito bem com nossa visão de onde achamos que tudo isso está indo.”

O papel da IA generativa nos jogos

Fora da Web3, os principais estúdios de jogos, como a Square Enix – que apóia a Atlas –, começaram a adotar a IA generativa como uma forma de aumentar a produtividade e a velocidade de desenvolvimento dos jogos. James afirmou que a tecnologia da Atlas pode trazer ganhos de eficiência de 200 vezes para os projetos. Um desenvolvedor de jogos de grande porte verá estereotipadamente esse ganho de eficiência de 200 vezes e pensará: “Posso ser muito mais eficiente como desenvolvedor de jogos”, disse ele, explicando que, a partir de certo ponto, torna-se impossível escalar o suficiente para acompanhar as demandas dos clientes.

Mas James também argumentou que os desenvolvedores de jogos independentes podem se beneficiar desses avanços tecnológicos tanto quanto os grandes desenvolvedores:

“Quando falamos com desenvolvedores de jogos pequenos, médios e independentes, eles ouvem essa estatística e pensam: ‘Posso fazer um mapa 200 vezes maior do que jamais consegui fazer antes’ ‘Tenho essa ideia que sempre quis fazer para um grande jogo de mundo aberto, e nunca antes foi possível.”

Uma crítica comum à IA é que, embora a tecnologia seja impressionante, ela inevitavelmente fará com que algumas ou muitas pessoas percam seus empregos. Quando perguntado sobre isso, James respondeu: “É uma tecnologia transformadora. Acho que não há como contornar isso”.

De acordo com o CEO, “alguns dos trabalhos em que alguém está fazendo um tipo de trabalho estrutural repetitivo e banal, esse é um trabalho que provavelmente está em risco, pois em algum momento no futuro haverá uma solução de IA que poderá automatizar esse processo e fazê-lo infinitamente mais rápido do que esses humanos poderiam fazer.”

No entanto, James continua otimista de que a IA não está prestes a substituir totalmente os desenvolvedores de jogos tão cedo. “Acho que, de forma otimista, o que a IA não consegue fazer é ser tão criativa quanto um indivíduo.” Ele ressaltou que, mesmo que uma IA possa programar mundos de jogos em uma velocidade muito superior do que qualquer indivíduo seria capaz, ela ainda precisará de humanos para dizer a ela o que e como criar, ajustar os ambientes e tornar o jogo criativo e agradável.

“Minha visão otimista sobre isso é que os trabalhos em que a criatividade [está] no centro e na vanguarda, esses são os trabalhos que se tornarão cada vez mais importantes.”

Para saber mais sobre a conversa de James com o The Agenda – incluindo como os músicos poderiam usar a Atlas, como a blockchain pode ajudar a verificar notícias falsas e muito mais – ouça o episódio completo na página de Podcasts do Cointelegraph, no Apple Podcasts ou no Spotify. E não se esqueça de conferir a programação completa de outros programas do Cointelegraph!

Este artigo é para fins de informação geral e não se destina a ser e não deve ser tomado como aconselhamento jurídico ou de investimento. Os pontos de vista, pensamentos e opiniões aqui expressos são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem nem representam necessariamente os pontos de vista e opiniões do Cointelegraph.

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